quinta-feira, 1 de março de 2012

Mensagem de necessidade aos deuses



digo a quem quiser ouvir:
dos meus vícios cuido eu.
essa pele que eu tenho tão perto dos meus olhos deixa as minhas mãos calejadas, imóveis.
não consigo pegar e dizer que quero que me tenha,
que quero que me acabe,
que quero que me mate.
Outras vozes permitem que eu abra a janela e me jogue, mas e o portão do bosque, ainda está aberto?
Queria um último buquê de margaridas, uma última rosa de hiroshima, uma tulipa lilás e um vaso de violetas amarelas. Uma xícara de café não me faria tão mal, melhor ainda se viesse acompanhada de uma dúzia de barras de chocolate com castanha e três trufas de maracujá. Não se esqueça da minha dose de vodca polonesa, dos meus sapatos turcos, da minha luva francesa, dos meus óculos ingleses e da grama verde de Amsterdã.
Peça emprestada as vestes do Papa, a coroa de espinhos de Jesus e as cinzas de vítimas do holocausto. Traga incensos de maçã verde, pratos gregos, mulheres portuguesas e homens italianos.
Exijo que todos os corpos permaneçam nus, em contato extremo, como se o amanhã tivesse sido apagado.
Alugue o Palácio de Versalhes e providencie uma corda amarrada no vão central. Violinos e harpas envenenadas serão tocados pelos meus melhores amigos e quero que todos estejam vestidos com saias brancas.

Ao meu sinal,
gostaria de uma salva de palmas durante três anos consecutivos
e depois
queime o meu corpo e apague a minha história.
- Não me perturbe com falsas suposições de que algo possa dar errado e de que coisas simples como essas não possam ser adquiridas. Eu preciso e Eu mereço.

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