Atravesso dimensões depois que esvazio esta mente velha. Usufruo
logo de bens que me hão de ser úteis no futuro, tudo isso dentre as
mais variadas emoções, nas mais profundas. O problema é que não há
dimensão nos sentimentos, concluindo assim a abstração de tudo isso.
Malditos miolos que me cegam de desejo. O querer libidal destrói minha
resistência nervosa. Por isso fumo pra caralho, bebo pra caralho e como
pra caralho. Estou há duas décadas preso à carne de mim. Revogaria
grande parte de minha vida pra poder explodir em olhos. Seria pedir
demais poder virar espírito? Confesso que pararia de tentar viver por
alguma razão concreta, por uma verdade sã que só gera revolta em minha
carne mortal. Mato-me centenas de vezes toda semana, sou viciado em
vida. Vida é mesmo uma palavra muito louca! Deveríamos todo tomar três
ou quatro doses de vida diárias, a interpretação fica por tua conta.
Olha, ontem eu deixei cair dinheiro do bolso e não ajuntei. Alguém que
mais precisa ajuntaria. Mentira… Só vi que caiu quando cheguei a casa.
Qualquer outra desculpa é meramente anestésica. Conheci uma garota linda
na semana passada, o nome dela é Mai. Só a conheço como Mai, mas sei
que não é só Mai. Mai. Quando pronuncio esse nome e chego na semivogal,
sinto que falta algo. Esse izinho soa chorão, como se estivesse sentindo
falta de alguém. Eu estou maluco pra conhecer esse alguém! Maluco
também pra rever a Mai. Preciso perguntar-lhe o nome, o sobrenome, o
nome do meio, de cima, de baixo, de cima, de baixo, até gozar!
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