sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tenho certeza que ele me observava com aquela cara de idiota azedo e o fiapo de carne no meio dos dentes. Eu quase não agüentava olhar pra aqueles 63 anos de sonhos sórdidos. A pele oleosa da cara daquele infeliz e os cabelos... Ah! Os cabelos que não podiam ser menos sebosos. Estáticos e brilhantes até sumirem num ponto reluzente de luz (banhenta). E eu nunca entendi como alguém que pinta o cabelo – por que é claro que ele pinta, nem ele mesmo acredita que tem cabelos castanhos ainda – pode ter tanto óleo brotando do coro cabeludo (?!).
Bem que o seu Lauro podia derreter inteiro com aquela cara sebosa cheia de dentes fedendo cigarro. Às 4h e 57m daquela maldita madrugada e ele (sempre) me dando “Bom dia, Linda?” e eu lhe dando “Boa noite, seu Lauro!”; com um sorriso mais amarelo do que os dentes do velho. Não sei por que ele insistia em tomar café da manhã naquela espelunca que ninguém com menos de dois litros de álcool na corrente sanguínea ousaria freqüentar.  Aposto que era fetiche daquele velho infeliz, olhar para as caras borradas das gurias no último estágio.
Eu acho que o idiota era viciado em anfetaminas e exalava conhaque barato, cheiro de trago (mal) dormido. Mas bebia em casa. E descia na bodega me fazer ser simpática por uma merda de um cafezinho. Ou dois, no máximo, quando mais animado. Míseros dois reais para ter que olhar para aquela cara escorrendo banha de porco. Velho maldito cheio de gracinhas oleosas. Me dava náuseas ver a cara com que ele olhava pras pernas das gurias desconfiguradas no balcão do bar. Velho banhento, asqueroso, seboso... Será que não tem espelho em casa!?! Nenhuma pessoa cega sairia com ele se encostasse naquela cabeça banhenta, escorrendo... E insistia em vir com “ Bom dia!”. Caralho, que bom dia o quê! Quem pode ter um “Bom dia” olhando para aquela maldita cara pingando!?! E antes das cinco da matina ainda! E ele lá, sorridente, derretendo, escorrendo... E eu pensando no dia em que ele viraria um  líquido vertendo naquele chão e eu limpando aquela secreção viscosa...
Sacana, safado! Vai chegar o dia que no lugar do “Bom dia, seu Lauro”, eu vou dizer “Bom dia o caralho seu velho seboso! Não vê que não é dia ainda! Café?!? Acabou a merda do café!”

Lola

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